PGR Impavido quanto a ilegalidades
O silêncio da Procuradoria-Geral da República (PGR) em torno do alegado desvio de equipamentos da Rádio Global e da TV Palanca começa a gerar profunda desconfiança pública e suspeitas de encobrimento de figuras com poder político e institucional.
Após a denúncia publicada pelo Observa, vários cidadãos questionam por que razão a PGR ainda não se pronunciou oficialmente sobre o destino dos materiais técnicos apreendidos, avaliados em milhões de kwanzas, que deveriam ter sido incorporados ao património do Estado.
Fontes próximas do processo garantem que parte substancial dos equipamentos confiscados terá sido transferida para uso pessoal e institucional do então Ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, num esquema coordenado com altos responsáveis ligados à recuperação de ativos públicos.
De acordo com as informações apuradas , a operação teria contado com a cumplicidade da antiga Diretora do Serviço Nacional de Recuperação de Ativos (SENRA), Eduarda Passos de Carvalho Rodrigues Neto, recentemente exonerada após múltiplas queixas internas e externas relacionadas a irregularidades na gestão de bens confiscados.
Apesar das denúncias e da crescente pressão pública, a PGR mantém-se em silêncio absoluto, alimentando a perceção de que as estruturas encarregues de combater a corrupção podem estar agora envolvidas em práticas semelhantes.
“Quando o órgão que deve fiscalizar o cumprimento da lei é acusado de proteger os que a violam, o Estado de Direito entra em colapso moral”, alerta.
A sociedade civil exige uma investigação transparente e independente, temendo que o caso se transforme em mais um dossiê arquivado, entre tantos outros que expõem o fosso entre o discurso anticorrupção e a realidade da impunidade institucional