Por Elias Muhongo
Diz o activista a partir do Estabelecimento Penitenciário de Calomboloca localizado na província do Icolo e Bengo que “se não têm provas, libertem-me, se têm provas, condenem-me!”,
O activista Osvaldo Kaholo voltou a denunciar as condições deploráveis e desumanas dentro da cadeia Calomboloca, a unidade penitenciaria conhecida por ‘Madrasta sem Xuxa’, por sinal uma das mais famosas de Angola, onde a solução de muitos reclusos acaba por ser o suicídio, muitas vezes, por desespero de ter sido diagnosticado por várias doenças como tuberculose, infeções e SIDA (HIV), um vírus “adquirido” nas celas por conta do sexo anal.
Sublinhe-se que a fome é uma das razões que às vezes obriga os reclusos a dar a “parte de trás” a outros homens. De acordo com as denuncias que o Jornal Folha 8 e a TV8 teve acesso.
Nesta fase, o activista e os demais prisioneiros são trancados sem direito a banho de sol, sem acesso a água para consumo, banho e casa de banho, e que as refeições são colocadas por baixo das portas das celas, sendo empurradas com o pé pelos guardas prisionais, são situações em que se encontram os reclusos do Estabelecimento Penitenciário de Calomboloca.
Segundo o activista está a ser indiciado por crimes cuja moldura penal ultrapassa os três anos de prisão, nomeadamente instigação à rebelião, instigação pública ao crime e apologia pública ao crime. A medida de coação foi fundamentada pelo suposto risco de fuga.
“Segundo a justiça, eu teria feito ameaças durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, no contexto da manifestação contra o aumento nos preços do táxi e dos combustíveis, em 12 de Julho. Até porque o direito de reunião e manifestação é um direito consagrado na Constituição. Então, cabe às autoridades criar condições para que esse direito se materialize, se não têm provas, libertem-me, se têm provas, condenem-me”, diz Osvaldo Kaholo, acrescentando:
“Essa prisão é meramente política, peço a todos aqueles que acreditam numa Angola melhor para os Angolanos que ajudem a combater essa tamanha injustiça. Angola é de todos nós e não só de um pequeno grupo, devemos repartir as riquezas do país igualmente para todos os Angolanos. É de lamentar ver que há muitos presos na unidade prisional a quem a estrutura não consegue dar resposta ao espaço, não são acomodados de uma forma muito livre, as condições das celas são degradantes e o impedimento de visitas reside.”
De acordo com a sua irmã Elsa Kaholo, o activista recusava-se a receber visitas e alimentação, em protesto contra a prorrogação por mais dois meses da sua prisão preventiva, que considera injustificada. Além da imposição de restrições familiares, alega falta de assistência médica.
“Ele diz que, se as provas do suposto crime são públicas, não há necessidade de prolongar a prisão preventiva. Além disso, esses dois meses não são verdadeiros dois meses, porque os tribunais entram agora de férias e só retomam em Março do próximo ano 2026”, mas hoje dia 27 de Outubro de 2025 parou com a greve de fome devido o outro activista que passou mal, mas nos próximos dias, vai voltar novamente com a greve de fome,” explicou, Elsa Kaholo.