Edeltrudes Acusado de Corrupção e desvio de milhões continua intocavel pelo Presidente Lourenço que diz que combate a Corrupção
Luanda – O cenário político angolano continua a ser abalado por um robusto escândalo de corrupção e enriquecimento ilícito que coloca o poderoso Edeltrudes Maurício Fernandes Gaspar da Costa, figura central do governo e Diretor do Gabinete do Presidente da República, João Lourenço, no centro das atenções. As acusações, divulgadas por órgãos de comunicação social internacionais, sugerem um alegado esquema de desvio de fundos públicos e uso indevido da sua influência para benefício próprio e da sua empresa CARMO, meso assim o Presidente Angolano mentem o homem próximo do seu gabinete, sem no entanto abrir uma investigação ou constitui-lo em Arguido.
Milhões de Origem Desconhecida e Luxo em Portugal
As investigações jornalísticas levadas acabo pelo Observador Angola, revelaram que Edeltrudes Costa terá recebido milhões de dólares em suas contas bancárias, cuja origem é questionável e alegadamente incompatível com o seu salário de Ministro de Estado e Diretor do Gabinete Presidencial.
- Transferências Milionárias: Em 2013, foram depositados 17,6 milhões de dólares numa conta sua no Banco Angolano de Investimentos (BAI), seguidos por outros 5 milhões de dólares. A origem destes fundos nunca foi detalhadamente esclarecida publicamente por Costa, embora o mesmo tenha declarado que todos os seus rendimentos são claros e legais.
- Paraísos Fiscais e Imóveis de Luxo: Alega-se que parte desse dinheiro terá sido transferida para contas bancárias no Panamá, utilizando sucursais de bancos estrangeiros na zona franca da Madeira. Os fundos terão sido alegadamente usados para a compra de imóveis de luxo em Portugal, em locais como Sintra e Cascais, e até mesmo um barco, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.
- “Gastos em Festas”: Embora a sua menção seja comum em círculos políticos, os alegados “gastos em festas” com fundos públicos ainda carecem de detalhes específicos em relatórios de investigação tornados públicos, mas reforçam a imagem de um estilo de vida de “extrema luxúria” à custa do povo angolano, em contraste com a pobreza que atinge grande parte da população.
🏗️ Contratos Públicos e Adjudicação Direta
Uma das acusações mais graves envolve a alegada utilização da sua posição para beneficiar as suas próprias empresas em contratos com o Estado angolano, configurando uma potencial violação da lei de probidade pública.
- A Empresa EMFC Consulting: Edeltrudes Costa, através da sua empresa EMFC Consulting, terá obtido contratos de consultoria com o Governo angolano para a modernização de aeroportos. Fontes de investigação alegam que estes contratos, obtidos por adjudicação direta, tiveram o aval do próprio Presidente da República, João Lourenço, que manteve Edeltrudes Costa no cargo mesmo após as primeiras denúncias.
- Negócios Eleitorais: O gestor também é acusado de ter celebrado contratos com a sua própria empresa, enquanto membro da Comissão Nacional Eleitoral, para o fornecimento de material usado nas eleições de 2017, nas quais João Lourenço foi declarado vencedor, um negócio que terá rendido cerca de um milhão de euros.
⚖️ Silêncio Presidencial e Pedidos de Investigação
Apesar das denúncias e do clamor público, o Presidente João Lourenço tem sido criticado por não se pronunciar sobre as alegações contra o seu Diretor do Gabinete. A oposição e a sociedade civil têm exigido o esclarecimento público dos implicados e uma investigação urgente e transparente.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a admitir apurar dados para investigar Edeltrudes Costa, mas em momentos anteriores, uma fonte da PGR havia citado que não havia sinal de crime, suscitando opiniões divergentes sobre a real capacidade e vontade das autoridades em investigar uma figura tão próxima do Chefe de Estado.
As denúncias contra Edeltrudes Costa representam um sério desafio para a alegada “luta contra a corrupção” levada a cabo pelo Presidente João Lourenço, levantando dúvidas sobre a seletividade e a profundidade dessa campanha.
A mão invisível de Edeltrudes Costa: O Silêncio do Poder e o Cargo de Confiança
Em seguimento ao escândalo de corrupção que envolve o Ministro e Diretor do Gabinete do Presidente da República, Edeltrudes Costa, as pesquisas revelam que a posição do Governo angolano tem sido marcada pelo silêncio presidencial e pela manutenção do dirigente no seu cargo.
1. Estatuto e Cargo Atual
Apesar de todas as denúncias de desvio de fundos, enriquecimento ilícito e contratos públicos controversos envolvendo a sua empresa (EMFC Consulting) e o alegado aval presidencial (em casos como o contrato para fornecimento de material eleitoral), Edeltrudes Maurício Fernandes Gaspar da Costa manteve-se no núcleo duro do poder.
- Recondução em 2022: Em setembro de 2022, após a reeleição de João Lourenço, o Presidente da República reconduziu Edeltrudes Costa para o cargo de Ministro e Diretor do Gabinete do Presidente da República (equivalente a Chefe de Gabinete, mas com estatuto ministerial).
- Sinal de Confiança: Esta recondução é vista pela oposição e por analistas como um forte sinal de confiança por parte do Presidente João Lourenço, que ignorou os sucessivos apelos da sociedade civil e dos partidos políticos para o afastamento ou entrega do seu colaborador à justiça.
2. Resposta Oficial do Governo e PGR
A resposta formal das instituições angolanas às denúncias contra Edeltrudes Costa foi ambígua e, na prática, levou à estagnação do processo público.
- Silêncio do Presidente: O Presidente João Lourenço nunca se pronunciou publicamente sobre as alegações que pesam sobre Edeltrudes Costa, tendo optado por mantê-lo no cargo, mesmo perante manifestações de rua a exigir a demissão do diretor.
- A Posição da PGR (Procuradoria-Geral da República): Inicialmente, a PGR de Angola afirmou não ter conhecimento de que Edeltrudes Costa tivesse cometido qualquer crime. Contudo, após a pressão mediática e política, a PGR admitiu, no final de 2020, que estava a “apurar dados para investigar” as denúncias, nomeadamente as revelações feitas pela televisão portuguesa (TVI) sobre as contas milionárias e a compra de imóveis de luxo em Portugal.
- Falta de Conclusão Pública: Até à data, as notícias não indicam que o processo de “apuramento de dados” da PGR tenha culminado numa acusação formal, arquivamento ou esclarecimento público definitivo sobre o desfecho da investigação. A oposição continua a criticar a falta de transparência e a perceção de que a luta anticorrupção é “seletiva” e incapaz de atingir figuras do círculo mais próximo do poder.